Psicoterapia
a) Psicoterapia Individual Infantil:
As principais razões que levam pais ou responsáveis a procurar terapia para suas crianças são o baixo rendimento escolar, comportamentos agressivos, timidez, enurese noturna, hiperatividade, dificuldades de interagir com outras crianças ou familiares, depressão, obesidade, etc. Os distúrbios comportamentais infantis normalmente estão associados à falta de habilidade para lidar com situações adversas e difíceis (causadoras de frustrações), como a separação dos pais ou mudança de escola. Nestes casos, a terapia irá auxiliá-las, com a metodologia adequada, na aquisição de novos comportamentos eficientes para lidar com as situações geradoras do estresse emocional.
O envolvimento dos pais e/ou responsáveis é extremamente importante no processo terapêutico da criança, através de sessões de orientação. Em tais encontros, os pais/responsáveis aprendem formas alternativas de ajudar a criança, bem como passam a entender o que ocorre no contexto familiar e o que poderia estar gerando ou mantendo o problema. Percebe-se, neste modelo, que todo ambiente no qual a criança interage deve ser considerado e também ser foco de intervenção. Neste sentido pode-se orientar, inclusive, outros familiares e a escola.
b) Psicoterapia Individual para Adultos:
A psicoterapia individual para adultos é, provavelmente, a mais clássica e mais conhecida modalidade de terapia psicológica. Pessoas que nunca passaram pela psicoterapia costumam se perguntar: “Qual a finalidade de uma pessoa procurar um psicólogo? Ela está ‘ficando louca’? Que tipo de problemas não consegue resolver sozinha?”
Os problemas tratados por meio da psicoterapia variam de modo amplo. Entretanto, podem ser enquadrados em uma grande categoria chamada “problemas de relacionamento”, sejam relacionamentos do indivíduo com o mundo, com as pessoas ou consigo mesmo.
Frequentemente, tais problemas não são visivelmente percebidos. Por exemplo: o sofrimento por medo de perder alguém pode ser muito silencioso; incomodar-se por não saber lidar com situações sociais; medo de fechar grandes negócios numa empresa; medo de dirigir um carro sozinho(a); ansiedade diante dos problemas do cotidiano, etc. Tais questões afetam a autoestima e, usualmente, não são comunicados aos outros. Outras vezes são, mas quem ouve não dispõe de instrumentos para ajudar com eficácia.
O trabalho realizado numa psicoterapia visa reduzir o sofrimento do indivíduo; identificar e partilhar com o cliente as causas e as condições que o mantém sofrendo; auxiliar a buscar estratégias para que ele, por si mesmo, aprenda a lidar, no futuro, com novas dificuldades e novos sofrimentos que possam aparecer.
c) Psicoterapia de Casal:
Antes de abordar a terapia de casal, cabe dizer que o relacionamento do casal constitui um eixo ao redor do qual se formam as demais relações no contexto familiar. Um casal que cultive o amor, a cumplicidade, a boa comunicação, a abertura para a mudança, o espaço para a negociação e a habilidade na solução de conflitos parece ter a base para a manutenção de uma sólida relação e a estrutura para a construção de uma família equilibrada. No entanto, como em todo relacionamento interpessoal, a convivência do casal pode tornar-se difícil ou até mesmo insustentável. Problemas conjugais estão entre os principais agentes de estresse, depressão e ansiedade. Problemas sexuais, falta de confiança, falta de comunicação, brigas constantes, agressão verbal e física, ciúme patológico constituem sinais de que a relação do casal não está bem.
Situações de crise na relação, explosões de raiva e violência, infidelidade, descompasso na vida sexual e vontade de romper o relacionamento contra a vontade do outro são alguns dos motivos pelos quais as pessoas procuram a terapia de casal.
Na busca da estabilidade na relação conjugal, alguns elementos são essenciais: – a discussão aberta quanto às aspirações dos cônjuges relacionadas à vida profissional, financeira, conjugal e familiar, a repactuação dos objetivos e interesses comuns do casal, o desenvolvimento de tolerância às diferenças, respeito à individualidade.
O principal objetivo da terapia de casal é favorecer o desenvolvimento de comportamentos que conduzam a um melhor relacionamento interpessoal entre duas pessoas. Para tanto, o psicólogo que atende casais auxilia a entender a história individual e familiar dos cônjuges e a história do relacionamento conjugal. A partir do conhecimento das preferências, dos desejos, dos sonhos e das necessidades individuais e do casal, podem ser traçados objetivos comuns para os parceiros, que irão se engajar de forma mais satisfatória no relacionamento.
d) Psicoterapia de Grupo:
Este método aspira alcançar o melhor agrupamento de seus membros para os fins que persegue. Não trata somente dos indivíduos, mas de todo o grupo e dos indivíduos que estão em relação com ele. Em sua visão sociológica vê a sociedade humana total como o verdadeiro paciente.
O conceito de encontro está no centro da psicoterapia de grupo, comunicação mútua que não se esgota no intelectual, mas que abrange a totalidade de seu ser. O encontro vive no "aqui e agora". Vai mais além da empatia e da transferência. Forma um "nós".
e) Terapia Familiar:
A Terapia Familiar tem como objetivo principal auxiliar na melhora das relações no contexto familiar de forma que as mesmas sejam harmoniosas, respeitosas e saudáveis.
Não podemos deixar de considerar que somos seres biopsicossociais e nos construímos a partir da nossa relação com o outro, com o meio e com nós mesmos. Somos um pouco da família em que estamos inseridos, do meio em que vivemos e das pessoas com quem interagimos.
A terapia familiar pode ter como foco o tratamento de um de seus membros. Porém, não raramente, os comportamentos-problema de um membro tem sua origem nas relações disfuncionais da família, que pode agravá-los ou contribuir para a solução desses comportamentos-problema. Afinal, quando um membro da família adoece, todo o sistema familiar também adoece.
A terapia familiar procura colocar a família no centro das atenções, implicando esta família na terapia e co-responsabilizando-a das decisões e dos objetivos a alcançar. Isto porque a terapia familiar entende a família como um todo e não simplesmente como a soma de seus membros, pois tudo o que acontece a um elemento afetará os demais. Trata-se assim, de um sistema.
Cabe ao terapeuta familiar o papel de mediador, auxiliando a família a perceber que possui potencial e capacidades para a resolução das questões que estejam causando conflitos das mais variadas ordens.
